segunda-feira, 19 de março de 2012

A promoção que não foi exatamente uma promoção...

Muitas vezes me pergunto o que leva uma empresa a realizar uma promoção. Bom, como a própria palavra diz, é para se promover. Agora, se é isso que as organizações desejam, por que muitas vezes não levam em consideração as expectativas dos participantes?

Como prometido no último post, vou dividir com vocês uma experiência assim, única e frustrada da minha vida. Única, porque depois da minha reclamação jamais me darão aquele prêmio de novo, e frustrada, porque tinha tudo pra ser um dia perfeito, e não foi.

Para localizá-los nos acontecimentos, todos os anos é realizado no programa “Domingão do Faustão” da Rede Globo, a premiação “Melhores do ano”, em que o público escolhe, em várias categorias, qual foi o melhor em sua opinião. Enfim, lançaram uma promoção no site: a resposta mais criativa para a pergunta “Por que seu ídolo merece ganhar os melhores do ano?” iria para o Rio de Janeiro com tudo pago para participar da gravação do programa. Como vocês já devem imaginar, e não sei porque cargas d’água, a resposta escolhida foi a minha. Pra ser sincera, nem lembro o que falei.

Me cadastrei na promoção a pedido da minha irmã, Ana Paula, que é menor de idade, e como constava no regulamento, não poderia participar. Se eu ganhasse, teria direito a um acompanhante. Lógico que seria ela, mas não foi. A primeira informação que me foi passada foi que ela poderia ir, com a autorização dos meus pais. Ela, como a típica adolescente que é, fanática por Jorge & Mateus, deu pulos, esperneou, gritou e ligou pra todas as amigas, tudo ao mesmo tempo, com perdão da hipérbole.

Pra resumir, depois de algum tempo me ligaram de novo, falando que ela, por ser menor de idade, não poderia ir, porque o departamento jurídico não havia autorizado. Ai começou toda a confusão. Esperando que o responsável pudesse corrigir o equívoco que ele mesmo cometeu, perguntei se não entrava menor de idade na platéia. Obtendo uma resposta afirmativa, achei a solução para o problema: outra pessoa iria comigo como acompanhante, e ela como platéia normal. Bom, ele não cedeu, com o argumento de que já estava lotado.

Deixei minha irmã chorando em casa pra ir, porque esse era o mais próximo que eu poderia chegar de realizar o sonho dela, conhecer Jorge & Mateus. Escrevi uma carta de duas páginas, pedindo que ela pudesse os conhecer em algum evento da região, e fiquei esperando pela oportunidade de entregar diretamente à dupla de desejo, ou à alguém da equipe deles. Não me deixaram. Disseram que esse era um dia muito especial do programa e que não havia ninguém que pudesse me acompanhar nessa incrível jornada que duraria 5 minutos: entrar no camarim, tirar uma foto, entregar a carta e sair. Ah sim, não esquecendo: os ganhadores na categoria em que essa dupla competia foram Vitor & Léo. Então eu ganhei a promoção por ser fã de uma dupla que eu só vi no telão, porque eles nem entraram no palco.

Acho engraçada a relação entre fã e ídolo. Vejo pessoas que ficam ensandecidas por ficar na frente de seus ídolos, então há de se concordar que essa é uma relação em que há de se tomar muito cuidado. É onde entram as expectativas. Tenho certeza, que juridicamente não havia nada errado com o regulamento da promoção, nada que deixasse uma brecha para um possível problema. Mas, quando se ganha uma promoção por ter a resposta mais criativa para uma pergunta que tem a ver com seu ídolo, o mínimo que se espera é poder conhecê-lo de perto, não?! Bom, na minha concepção, deveria ser. Caso contrário, a pergunta feita deveria ter sido: “O que você faria para assistir a gravação do programa?”. Muito mais apropriado, quando a única coisa que eles vão te fornecer é isso. Nem reservaram lugar para mim na platéia. Só sentei na primeira fileira porque pedi. Me jogaram junto com todas as caravanas e lá eu fiquei.

Quando entramos no estúdio de gravação, me deparei com uma menina dizendo que estava lá atrás vendo todos os concorrentes ao prêmio. Quando a questionei sobre como ela conseguiu, ela me disse que uma amiga de uma amiga trabalhava lá, e a colocou pra dentro. Que pena, eu só fui a única ganhadora de uma promoção realizada pela produção do programa, não tive a sorte de ser a amiga da amiga do namorado de não sei quem. Achei o incidente meio irônico, tanto quanto as minhas palavras.

Passei tanto nervoso na gravação do programa, que nem queria assisti-lo no dia seguinte, pra saber como seria minha imagem na tela da Rede Globo. Devia ter levado uma daquelas placas normais em eventos esportivos escrito “Mãe, tô na globo”. Pensando bem, seria perca de tempo, não me deixariam entrar com ela. Deixando as brincadeiras de lado, cansei de ouvir a palavra complicado naquele dia. Tudo, para todos os funcionários, era complicado demais. Deve ter sido complicado pensar nessa promoção também. Vamos colocar o ganhador no avião, contratar o táxi para trazê-lo até o Projac, e deixa-lo com todos os outros. Só não podemos esquecer do regulamento, precisamos passar tudo para o jurídico. Complicadíssimo. E eu escrevendo ironia pesada, de novo.

Enfim, consegui com algum custo, fazer minha irmã conhecer Jorge & Mateus. Por mérito de um funcionário da produção, e não pela promoção. Mas isso merece um post especial...

Até a próxima.

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